JESUS, NÃO DESISTE NÃO

Gostaria de possuir o dom mais agudo da escrita, mas ofereço o que a vida me ensinou. E começo com uma pergunta que, à primeira vista, soa óbvia: como alguém pode verdadeiramente amar o outro sem primeiro se reconciliar consigo mesmo?

Pois é aí que o simples se complica. O amor-próprio, essa base invisível de tudo, não foi perdido: nunca foi sequer apresentado à maioria de nós. Triste, não? Não aprendemos nas escolas, nem em casa, nem nas igrejas, que o primeiro encontro amoroso acontece no espelho.

Que teia é essa que aprisiona o humano? Mentiras (especialmente as que contamos a nós mesmos, mágoas que viram armaduras, ódio que se disfarça de razão, vingança que promete alívio e entrega apenas mais cordas. Uma teia antiga, que muitos juram destruir, mas repetem os mesmos gestos, os mesmos pensamentos, e colhem os mesmos frutos. E o amor, paciente, espera do lado de fora, encolhido, sem ser convidado.

E então, Jesus, muitos te imploram, achando que isso é orar. por uma vida melhor, um grande amor, dinheiro, sucesso, soluções mágicas. Não enxergam que o amor da vida não é algo que se encontra: é algo que se é. O dinheiro não é vilão, claro. Mas ele nunca vem primeiro. Ele é consequência de uma harmonia silenciosa, quando pensamento, palavra e ação finalmente deixam de brigar entre si e caminham juntos.

Mas como explicar isso a quem quer comprar amor na padaria da esquina? Como fazer entender que amar a si mesmo não é nunca reclamar, nunca julgar, nunca ferir com a língua ou com o silêncio? Amar a si mesmo é, acima de tudo, perceber que o outro não é um estranho, é uma extensão. Um eco. Um espelho que às vezes incomoda.

E os pensamentos… ah, os pensamentos. Turbulentos, instáveis, cheios de “e se”. Eles bagunçam o campo energético, criam ruído onde deveria haver morada. Que amor-próprio é esse que não consegue se aquietar por cinco minutos e orar com o coração vazio de lamento?

Seria tão transformador se, em vez de orar com listas de pedidos materiais, a pessoa abrisse o peito e dissesse: “Ajuda-me a melhorar meus pensamentos. Dá-me paciência. Desperta em mim a amorosidade. Ensina-me a compreender de verdade, a respeitar, a cultivar o que engrandece a alma”. Ah, como o mundo seria outro.

Olha, Jesus — não desiste, não. Você e os amigos mestres: Krishna, Sai Baba, Ramatís, Lao-Tse, Francisco, Buda, a Mãe Divina (sim, viva elas também). Estão todos ali, bem juntos dessa humanidade tantas vezes medíocre, presa na pequenez do “eu quero pra mim”. Se todos soubessem o quanto vocês ajudam quem decide se ajudar, a história seria outra.

Não haveria essa transferência de culpa, esse jogo de empurrar as próprias misérias para o colo do outro. Se todos soubessem a potência de agradecer, não com palavras decoradas, mas com aquela gratidão que brota do pontinho escondido lá no fundo, da essência pura que cada um carrega sem saber… ah, se soubessem.

E assim caminha a humanidade, como já disse Lulu Santos: com passos de formiga e sem muita vontade. Eu mesma estou na lida, tentando, falhando às vezes, mas já entendi uma coisa: ninguém mais é responsável pelo que há de ruim em mim. Sou cocriadora. Não estou livre das negatividades, claro. Mas parei de encher o saco dos mestres como uma pedinte espiritual.

Se este texto encontrar alguém e lhe fizer bem, compartilhe. Não por mim — por aquilo que ele pode despertar.

Por enquanto, é isso que tenho para contar. A aula continua dentro de mim.
E sigo aprendendo,

Andréa ❤

 

Andréa Lúcia

Andréa Lúcia

Sabe quando a gente sente que transformação não vem de fórmula pronta, mas sim de um olhar mais cuidadoso para dentro? É nisso que acredito. Minha caminhada une mais de 20 anos de experiência desenvolvimento humano e terapias integrativas, porque, para mim, aprender e se cuidar andam de mãos dadas. Aqui, compartilho reflexões, ferramentas e práticas para quem quer se entender melhor, ressignificar padrões e construir relações mais saudáveis consigo, com o outro e com a vida. Sem pressa, sem julgamento.
Quando não estou por aqui escrevendo, provavelmente você vai me encontrar com um livro na mão, ouvindo uma música que toca a alma ou apreciando o mar ou um jardim, que é onde a gente respira mais devagar e lembra do que realmente importa.

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