Uma conversa sobre a autoestima que não se resume a frases de efeito, mas à coragem de se reconhecer inteira
Você já parou no meio do dia, de repente, e sentiu como se estivesse assistindo à própria vida de fora? Como se a mulher que faz o café, responde as mensagens do trabalho e acena com a cabeça para o que os outros dizem fosse uma estranha que ocupa o seu lugar? Acontece comigo. E, se você está lendo este texto, aposto que acontece com você também.
Eis uma verdade que ninguém conta: a autoestima, antes de ser um conceito bonito para post em rede social, é a raiz invisível que nutre tudo o que você faz. Quando a gente se perde de si mesma, não é porque não se ama o bastante, mas porque passou tanto tempo tentando caber em formas alheias que esqueceu o contorno da própria alma.
O abandono silencioso que a gente normaliza
A baixa autoestima tem um talento cruel: ela se disfarça. Num “tudo bem” que não está nada bem, num “imagina, não tem problema”, num “desculpa, talvez eu esteja exagerando”. Ela vai se desfazendo em migalhas, nos pequenos abandonos diários.
Num estudo sobre o tema, o conceito de autoestima aparece ligado à confiança que depositamos em nós mesmos e à capacidade de nos contemplar com respeito e dignidade . Não tem a ver com se sentir maravilhosa o tempo todo. É mais profundo: é sentir que você merece existir no mundo do jeito que é, sem precisar se encolher.
A literatura costuma definir a autoestima como a forma como nos sentimos a respeito do que acreditamos ser . Ou seja: se você cresceu ouvindo que “é difícil”, “sente demais” ou “nunca é o bastante”, essas frases viram o espelho onde você se olha. E a imagem distorcida vira identidade.
Só que não, essas frases não são você. São reflexos de um mundo que te ensinou a se caber, mas que nunca te ensinou a se pertencer.
A raiz invisível que sustenta tudo
Imagine uma árvore. Alta, firme, frondosa. O que a mantém de pé não são os galhos que todo mundo vê, mas as raízes profundas que ninguém enxerga. A autoestima é exatamente isso: o que não se vê, mas sustenta tudo. Se ela está frágil, a árvore inteira balança. Não adianta decorar os galhos com folhas bonitas se a base não segura.
Esse artigo é inspirado no meu ebook Você é o Amor que Procura onde abordo a seguinte metáfora: a autoestima não é vaidade, é raiz. É aquilo que segura você nos dias de vento forte e de tempestade, e também nos dias de sol e calmaria.
Mas como estão as suas raízes, agora? Não a versão que você mostra para os outros, mas aquela que mora no silêncio da sua casa, quando você tira a maquiagem e o personagem, e fica só você.

O peso invisível de quem aguenta tudo
Se tem um lugar onde a baixa autoestima mais se camufla, é na máscara da mulher forte. Aquela que segura o trabalho, a casa, os filhos, os relacionamentos, os sonhos dos outros, e ainda sorri. A que virou o alicerce de todo mundo, mas esqueceu de perguntar: e quem é o meu alicerce?
A literatura sobre autoestima aponta que ela é um conceito dinâmico, que se constrói a partir de fatores internos (nossas crenças) e externos (as mensagens que a sociedade nos envia). Quando essas mensagens, principalmente aquelas recebidas na infância, nos dizem que nosso valor depende do que fazemos pelos outros, a gente aprende a se anular para ser amada.
O grande problema é que a força que admiram em você foi construída sobre a negação da sua própria dor. A exaustão que você sente não é física, é emocional. É o cansaço de quem deixa de ser para sustentar o mundo.
Aqui, a pergunta que eu queria fazer a você, como faria a uma amiga sentada na minha frente: quando foi a última vez que você se permitiu desabar sem culpa? Sem precisar consertar, justificar ou dizer “amanhã eu melhoro”?
A menina que ainda mora dentro de você
Quando a gente reage de forma intensa a alguma coisa aparentemente pequena, seja uma crítica, um olhar torto, uma ausência, nem sempre é a mulher adulta ali. Muitas vezes, é a criança interior, machucada, tentando se proteger como aprendeu a fazer quando era vulnerável.
E, como aponta a literatura, a autoestima se configura a partir de experiências vividas, sobretudo nos primeiros anos de vida . Se a menina que você foi aprendeu que precisava ser boazinha para ser amada, se esconder para ser aceita, se anular para não ser abandonada, ela ainda mora aí, esperando ser vista.
Nesse ponto, quero sugerir que a gente mesma pode ser o colo que faltou. Pode se sentar ao lado dessa menina e dizer o que ninguém disse: “Você é linda, é importante. Você merece amor só por existir.”
É um resgate. E, como todo resgate, exige coragem. Mas a autoestima verdadeira não se reconstrói ignorando a dor; ela se reconstrói quando a gente para de fugir de si mesma.

O corpo que a gente rejeita
E tem o corpo. Ah, o corpo. Esse lugar que a gente aprendeu a tratar como inimigo. A crítica interna já começa antes de escovar os dentes, e ele, o corpo, ouve. Ele ouve tudo, sente tudo. E, mesmo assim, segue sustentando sua vida, dia após dia, sem aplauso, sem carinho, sem gratidão.
Não foi você que nasceu odiando seu corpo. Essa dor é uma herança de uma cultura que ensinou que você precisava se moldar para ser aceita, de olhares que te classificaram, de padrões que sequestraram sua liberdade.
A autoestima saudável se baseia na visão realista de si mesma, ligada à autoaceitação e à autenticidade. Isso significa: não se trata de amar o corpo porque ele atende a um padrão, mas de tratá-lo como o primeiro lar, independentemente do tamanho, da forma, das marcas.
E se a autoestima fosse, antes de tudo, você parar para fazer as pazes com o que vê no espelho?
O amor que você busca é o amor que você é
A jornada de volta para si mesma é sobre se lembrar e reconhecer que o amor que você passou a vida buscando fora, em parceiros, em aprovação no trabalho, em curtidas, em validação, mora dentro de você.
O escritor e psicólogo Nathaniel Branden, um dos pioneiros no estudo da autoestima, dizia que a autoestima é a experiência de ser competente para viver e merecedor da felicidade. Não é arrogância, é confiança. É a convicção de que você é digna, não por causa do que faz, mas por quem é. Essa compreensão, presente na psicologia contemporânea, nos ajuda a separar a autoestima saudável de uma autovalorização inflada, que pode virar armadilha .
A autoestima não é algo que você precisa buscar. É algo que você precisa lembrar. Está tudo aí, enterrado sob camadas de dor, de esforço, de esquecimento. A pergunta não é “como me amar mais”, mas “o que eu preciso desaprender para me reencontrar?”.
Para fazer agora
Pegue um papel e escreva o nome de uma situação em que você se anulou esta semana para agradar alguém ou para não incomodar. Agora, ao lado, escreva: “Na próxima vez, eu me escuto primeiro.” Guarde esse papel onde você possa ver. A repetição disso, pequenos gestos de escolha, é o que reconstrói a raiz.
O que levar para o dia
Viver a própria verdade é, muitas vezes, desagradar. É escolher sua paz em vez de manter as aparências. É aprender a conviver com o desconforto de ser real, e não com o cansaço de ser editada. A pergunta que eu deixo com você é: Qual parte sua você tem deixado calada para ser aceita? E o que aconteceria se, em vez de se encolher, você finalmente a escutasse com atenção, como quem ouve uma velha amiga?
Pode ser assustador. Mas talvez seja o ato mais corajoso de amor que você possa fazer por si mesma hoje.
Por enquanto, é isso que tenho para contar. A aula continua dentro de mim.
E sigo aprendendo,
Andréa ❤
Se você chegou até aqui, é provável que algo neste texto tenha ressoado internamente: uma inquietação, uma pergunta, uma vontade de ir além. E isso, por si só, já é o movimento mais importante: o primeiro passo em direção ao cuidado consigo mesmo.
Há momentos na vida em que a bagagem se torna pesada demais para carregarmos sozinhos. Momentos em que velhas dores insistem em ditar o presente, ou em que o corpo e a mente parecem falar línguas diferentes. Nesses momentos, contar com um acompanhamento profissional não é sinal de fraqueza, é um ato profundo de coragem e de amor-próprio.
Trabalho com abordagens que respeitam o seu tempo, integram corpo e mente, e devolvem a você o protagonismo da própria jornada. Cada processo é único, desenhado a partir da sua realidade, porque não existem receitas prontas quando se trata de gente.
Se desejar saber mais, conheça meus programas terapêuticos:
Individual | Travessias Internas – https://caminhoterapeutico.com.br/travessiasinternas/
Coletivo | Jornadas de Transformação – https://caminhoterapeutico.com.br/jornadascoletivas/


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